A “Jornada sobre Arquivos de Família em Portugal (Épocas medieval e moderna)”, que decorreu em Maio passado e foi aqui oportunamente anunciada, pretendeu chamar a atenção da comunidade científica e civil para a existência de um património documental de suma importância, mas que acusa determinadas fragilidades.
Como resultado desse evento, diversas entidades interessadas na protecção, defesa e estudo dos arquivos de família lançaram um “Programa anual de actividades de sensibilização para a importância de um património em risco” que, iniciado no passado mês de Outubro, se prolongará até Setembro de 2010, sendo composto por actividades diversas, com destaque para encontros para debater as questões financeiras em torno da salvaguarda do património arquivístico familiar e para estudar soluções de organização dos acervos; um curso livre de genealogia e um colóquio internacional sobre os arquivos de família em Portugal, último evento do programa.
Ao longo do programa anual, o conceito de “arquivo de família” terá uma abordagem lata, embora acabe por ter alguma incidência, pelos menos inicialmente, nos arquivos de famílias nobres do Antigo Regime, uma vez que foram estes que, por razões várias, melhor persistiram até ao presente.
É sobre eles que vai versar a conferência agendada para o próximo dia 20 de Novembro, intitulada “Arquivos de família e investigação histórica”, a decorrer na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, durante a manhã. Será decerto uma oportunidade para encontrar esclarecimentos para, pelo menos, algumas das perguntas a que o programa anual pretende dar resposta: de que forma os arquivos de família contribuem para um olhar renovado sobre a história do País? Como organizá-los e consultá-los? Como lidar com o ónus que a sua salvaguarda, organização e disponibilização representam? Quem sabe se, daqui a um ano, a comunidade – arquivistas, proprietários, investigadores e outros – não estará mais esclarecida e resoluta, em prol de uma memória mais colectiva, porque mais individual e familiar.
A participação é gratuita, não dispensando, contudo, o contacto com a organização (med@fcsh.unl.pt ou cham@fcsh.unl.pt).
2009-11-13