Jornada "Arquivos de Família - Épocas Medieval e Moderna" 



 
 
 

 
 

 
 
Nos últimos 30 anos, tem-se assistido a uma valorização dos arquivos de família, por três ordens de razão fundamentais.

Em primeiro lugar, os arquivistas e a arquivística passaram a interessar-se mais por esse tipo de arquivos, até então visto quase como um subgénero disciplinar, que não tinha o mesmo estatuto do que os arquivos estatais por não estar directamente relacionado com a função de serviço público.

Por outro lado, a história da família e de outras formas de organização societal despertou a atenção dos historiadores e outros investigadores das ciências sociais como uma componente indispensável para o desenvolvimento da história social.

Em último lugar, mas não menos importante, assistiu-se a uma crescente valorização patrimonial e cultural dos arquivos de família em posse de privados.

Em resultado dessa valorização geral, mas contribuindo igualmente para que essa tendência se mantenha em alta, têm-se realizado, desde inícios da década de 90 do século passado, reuniões alargadas sobre os arquivos de família em países como Itália, França e Espanha, bem como trabalhos teóricos e práticos e diversos tipos de cadastro (de guias a bases de dados).

Acompanhando-se em Portugal essa dinâmica, há, no entanto, todo um trabalho de envolvimento e sensibilização da sociedade civil que tem de ser feito. A Jornada sobre Arquivos de Família – Épocas Medieval e Moderna, a realizar no dia 20 de Maio de 2009, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, pretende ir ao encontro dessa necessidade.

A jornada vai reunir arquivistas, historiadores e proprietários em torno da questão dos arquivos de família, no sentido de levantar problemas, características e oportunidades e de abrir vias para soluções de colaboração.

Na parte da manhã, as intervenções dividem-se pelo painel Organizar Arquivos de Família: perspectivas teóricas actuais (com uma única intervenção, da autoria de Maria de Lurdes Rosa e de Armando Malheiro da Silva) e pelo painel Investigar com arquivos de família, com as palestras de Mário Farelo (Investigar em História social da Idade Média com arquivos de família: uma experiência), de Alexandra Pelúcia (Quando o silêncio impera: construir a história da nobreza sem arquivos de família), de Nuno Gonçalo Monteiro [Algumas notas sobre arquivos de casas nobiliárquicas (séculos XVI-XIX)] e de Tiago Miranda [A organicidade dos “fundos” de Antigo Regime. Entre o “público” e o “privado” nas colecções do Conselho Ultramarino (séculos XVII-XIX)].

Para a parte da tarde, está programado um único painel, intitulado Salvaguardar, Custodiar, Difundir Arquivos de Família, que conta com a participação de diversos intervenientes, entre eles, proprietários de arquivos familiares.

A entrada é livre.


06-04-2009

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